quarta-feira, 10 de maio de 2023

 

Agora só falta você?

Gandhia Brandão

Descolada de mim. Rosa me perguntou se eu iria mesmo querer uma nécessaire. Não era o objeto. Era o que ele representaria, o gesto. O que eu fiz de errado, gente? Ontem eu mandei um vídeo de Instagram para uma amiga ainda não tão íntima, mas que amo. Eu tenho essa mania de amar as pessoas. Tenho que parar com isso (?). O vídeo era sobre não ter pressa após parir. Mostrava uma mãe falando que o pós-parto dura pelo menos sete anos, que nós não nos recuperamos do baque em menos tempo, vou chamar de baque, sim. Antes disso, portanto, não deveríamos ter pressa de nada, tipo de ficar bem (?). Sei lá, de voltar a trabalhar freneticamente ou de ter o sono regulado ou de estar no peso tal ou de poder ir para uma festa ou de conseguir uma rotina ou de ter a casa organizada ou de conviver com pessoas tais ou de fazer um curso tal ou de frequentar um lugar tal ou de fazer tal viagem etc. Minha filha Rosa fez 10 anos essa semana. Eu estou desempregada há 8 meses e venho repensando seriamente sobre ritmo de trabalho. Nem... Eu trabalho desde os 16 anos... Vou fazer 43 em setembro. Espero já ter emprego até lá. Minha amiga não tão íntima é companheira (assim que eles se chamam, acho legal porque me lembro de Lula) de um grande amigo que amo muito. Eles vivem de maneira livre, amorosa, com muita parceria e têm uma mini lindeza de quem ainda não troquei a fralda. Eu os admiro imenso. Estou ouvindo “Dindi” na voz de Gal, mas antes estava ouvindo o álbum “Rita Lee em Bossa’n Roll”, ela que se livrou desse planeta hoje, pelo menos anunciaram hoje. Uns posts divulgam a data de ontem como data da morte. Eu não tenho medo de morrer. Tenho medo da dor, eu acho. Muito mais da dor de não fazer coisas que quero. Hoje doeu muito. Quando eu vi o filme sobre a vida de Elis Regina, eu fiquei muito triste também. Acho que foi a primeira vez que entendi que eu podia querer cantar. Eu já tinha assistido a filmes sobre cantoras, tipo o da Piaf e o da Callas. Pensava que não tinha a ver comigo, pois era muito sofrimento a enfrentar para estar num palco. Não sei bem quando vi o da Amy Winehouse. No caso dela o sofrimento era consequência do palco. Estou aqui pensando que talvez sempre haja sofrimento e que nem sempre tenha a ver com cantar ou com palco. Uma mania de querer organizar umas coisas antes de fazer outras. Ou talvez tenha havido coisas demais e não consegui... Gosto de datas comemorativas e nunca tive gente ao meu redor que fosse “cafoninha” como eu. Não tive pai. Minha mãe nunca tinha tempo, nem dinheiro, nem vontade. Hoje ela adora e celebramos juntas muitas dessas datas. Meus dois maridos, nada companheiros, apesar de eu falar, celebrar as datas que eram deles, de nossas filhas e de todos em volta, não me celebravam. Não serei injusta e vou dar créditos ao segundo marido que fez uma ou outra coisa no primeiro ano de relacionamento, talvez no segundo ano. Ao todo, foram nove anos. Com o primeiro marido, foram 11 anos. Gente... por quê? Tá... já passou. Tanta conversa com Clara e Rosa. Tantas homenagens e festas e presentes e cartinhas e composições e momentos de exaltação de cada uma, das duas, de nós. Em que momento deixei passar que essas “cafonices” são importantes para mim? Elas têm a liberdade de não participar de eventos ou rituais que não fazem sentido para elas. Conversamos, debatemos sobre temas complexos, polêmicos e nos damos escolhas diversas. Tentamos estar entre um modo de vida “tradicional” e nossa utopia de uma organização social justa, livre e igualitária. Frequentamos algumas instituições como escolas, cartórios, hospitais etc., tentando entender como elas funcionam e como poderiam ser mais bem administradas, além de criticar ferrenhamente outras instituições e imaginar como o mundo seria bem mais interessante sem a existência delas. Inclusive, temos cada uma sua própria utopia e rimos muito das nossas crises existenciais assim que passam. Certamente temos momentos coletivos descontraídos. Brincamos, jogamos, ouvimos música, assistimos a filmes e séries (elas assistem a animes), cantamos, passeamos etc. Rosa é livre para não achar nenhuma graça na comemoração do Dia das Mães na escola. Todavia, se ela me diz que sou a pessoa mais importante do mundo para ela, como não percebe que eu acho muita graça nesse evento brega, desorganizado e abafado cuja apresentação dos alunos é quase cômica? Ela simplesmente ignorou o bilhete da escola sobre a lembrancinha. Se eu fosse ao evento, seria a única mãe que não iria recebê-la. Provavelmente eu não iria chorar tanto se não estivesse trocando de antidepressivo. O início da queda de humor foi semana passada. Eu acho. Venho segurando tanta barra desde tanto tempo que nem sei mais. Mas chorei. Chorei muito. Chorei e me lembrei de coisas das quais nem queria ter me lembrado. A primeira foi Clara não abrindo a porta da casa dela para receber Rosa e eu poder voltar para a Posse do Lula sendo que tínhamos combinado uma semana antes, confirmado um dia antes e nos falado 20 minutos antes quando eu e Rosa ainda estávamos na Esplanada. Eu fui cedinho com Rosa e participamos do Cortejo de Abertura da Posse, ok. Mas não era só isso que eu queria. 10 anos de luta e, dentro deles, 6 anos de LUTA. O Dia da Posse era o DIA DO GOZO. Era importante para mim. Eu tinha vontade e necessidade de estar com minhas companheiras e companheiros de batalhas. Em 20 minutos, Clara dormiu e não abriu a porta. Almocei com Rosa e voltamos para casa. Nesse dia eu prometi a mim que nunca mais deixaria de fazer nada por conta de filhas. Pensem antes de desdenhar: isso é diferente de deixar de cuidar. Eu estou desempregada, contudo, estou fazendo várias coisas que sempre quis fazer e não me dava o direito: aula de violão; aula de teoria musical para tentar vaga como aluna de percussão na Escola de Música, o que vou fazer em breve; exercícios regulares de canto; análise, algo que simplesmente não conseguia; tentativas de atividade física, a análise vem ajudando; muita reflexão e busca de autoconhecimento; namorar, aprender a ser amada e ser cuidada. Eu conseguia ler, estudar uma coisinha aqui outra ali, fazer uma ou outra aula, porém com tanto esforço e depois de me dedicar tanto aos outros que parecia que eu nem tinha que estar ali, sabe? Ah, venho igualmente buscando experiências com outros grupos de Cultura Popular. Não sei se vai dar certo. Estar em Seu Estrelo e na Orquestra Alada nos últimos 5 anos, mesmo com todas as questões, foi uma oportunidade incrível de reconstrução de identidade e de libertação em amplo sentido, inclusive no sentido do direito de existir, brincar, tocar, cantar e esquecer do resto do mundo. Enquanto ali estive, ali era meu lugar, até deixar de ser. Sou grata. Talvez esse ciclo de estar em grupos tenha se encerrado. Estou me observando. Acho que quero cantar num grupo de cantoras ou fazer um trabalho solo ou ambos. Ainda não sei muito bem. Só sei que a primeira vez que fui cantar, eu era adolescente e foi numa instituição religiosa. Eca. Primeiro fui tocar violão para a “evangelização” das crianças, depois fui tocar e cantar para os jovens. Fiz aulas de violão e de canto em outra instituição religiosa. Participei de um grupo de serenatas. Durou pouco. Não entendia o que era a profissão musicista. Não sabia o que era Vestibular. Não sabia o que era uma Universidade Federal. Não sabia o que era desigualdade social. Não sabia que ser a melhor aluna de uma escola pública de Taguatinga era o mesmo que nada num Vestibular de UnB na era FHC. Não tinha a menor ideia de que iria ser humilhada diariamente por minha mãe na rua, na chuva, na fazenda por um ano inteiro porque não consegui passar no Vestibular para o curso de Letras duas vezes sendo que eu não sabia nem o que era nota de corte. Tive um professor cretino de matemática que tinha um bigode horrível e que nem dava aulas, que falou que se algum de nós tivesse condições de pagar por pelo menos dois cursinhos preparatórios, podia ser que houvesse possibilidade de entrar para algum curso desses não tão concorridos. Fiquei com ódio, mas foi quase o que aconteceu comigo depois que descobri o que era cursinho. Por um dos cursinhos eu trabalhei e paguei. Não adiantou muito porque eu mal conseguia assistir às aulas noturnas, já que nunca saía da merda do shopping center no horário real de saída. Até chegar na satélite depois do engarrafamento... O outro minha avó paterna pagou com muito sofrimento (não tive pai, tive avós paternos até uma certa idade). Quando atrasava o depósito por um ou dois dias, minha mãe vinha brigar comigo. Eu estudava de 7h da manhã ao meio-dia. Voltava para casa, preparava almoço para mim e para minhas irmãs, arrumava a cozinha, voltava para o cursinho para assistir às aulas, saía do cursinho e ia para a Escola de Música ou ficava no cursinho para estudar até fechar. Eu cantava no Coro Lírico da Escola de Música de Brasília. Estudar canto lírico e descobrir a música erudita estava sendo um alento em meio ao estresse e à humilhação do ano dos Vestibulares. Eu e o pai de Clara já éramos namoradinhos. Nós nos divertíamos muito nos finais de semana, ouvíamos muita música de todos os gêneros, íamos a muitos shows e eventos musicais. A família dele segue sendo família tradicional brasileira. Enquanto se sentirem superiores a quem está presente, tudo estará bem. Passei no terceiro Vestibular. Engravidei no segundo semestre. Larguei a Escola de Música assim que Clara Lua nasceu. UnB via Exercícios Domiciliares por um semestre... Fui morar com a família tradicional brasileira. Casei-me com a avó de Clara. O pai continuou sua vida como se nada houvera. Eu havia sido humilhada pela minha mãe, mas o que passei ali foi o inferno. Não sei como sobrevivi. Vão ler isso aqui e dizer que eu tinha conforto material. Foi às custas da minha alma. Mas eu a resgatei. Uns anos depois, entrei na Escola de Música novamente. Estudei mais canto lírico. Consegui vaga com o professor de Whiplash do canto erudito. Ele era o cão. Mas eu era mais. Eu estudava muito. Acho que eu já tinha me formado em Letras e estava no Mestrado. Fiz até concurso nacional de voz e ganhei. Enquanto isso, o pai de Clara não queria se mudar da casa da família tradicional brasileira de 700m2, terreno de 2500m2, para um cantinho nosso, como a nossa cara. Ainda seria possível? Eu queria. Ele se formou em arquitetura depois de viver o curso e a vida universitária em toda a sua potencialidade com todos os happy hours, todas as festas, todos os bares, todas as bandas, todos os shows, tudo. Eu fui mãe, trabalhei, estudei, trabalhei, fui mãe. Ainda na graduação, tentei estar numa banda por alguns meses, ganhamos um lance num festival (FINCA), estava fazendo sucesso, um dos caras da banda quis que eu saísse após eu criticar uma de suas composições, os outros apoiaram. A banda acabou quatro meses depois, bem-feito. Babacas. Voltando, cansei de esperar o bonito entender que, ops, eu finalmente entendi que o pai de Clara não queria um núcleo familiar comigo e com Clara. Fui embora do lugar que eu chamava de mansão dos horrores. Um tempo depois me casei com o que viria a ser o pai de Rosa. Paixão. Sonho de ter meu lar. Um homem que assumiu uma família comigo e com minha filha. Consórcio. Carro. Viagens. Amigos. Escola cara. Restaurantes. Eventos. Família disfuncional do homem. Pai de Clara sumindo. Eu entrei no Doutorado. Eu me profissionalizando na Ópera. O homem em crise. Eu ganhando dinheiro. Eu mais bonita, mais magra, mais lisa, mais loira (ô, gente...). O homem querendo controlar tudo. O homem estragando tudo. Eu rebelde. Qual a graça de conseguir realizar vários sonhos ao mesmo tempo e ter um homem perguntando o que vai ter para o almoço? Eu precisava de alguém que providenciasse o almoço, dividir a carga, sabe? Maior correria para conseguir cumprir vários compromissos no mesmo dia e nenhum apoio, só um homem me enchendo o saco e dizendo que quer largar o emprego e ir para a Europa finalmente seguir a carreira de cantor de Ópera dele já que EU havia sido CONVIDADA para ficar um ano na França com aquele lance de Doutorado Sanduíche. Um ano passa num sopro e o homem queria largar o emprego dele de doze anos de idade sendo que quem tinha uma possível carreira de cantora também era eu. O que eu precisava era dele compondo minha rede de apoio com minha filha. Não de lunatismo. Ele poderia tentar realizar os sonhos dele sem cagar os meus, não? Nós tínhamos uma vida tão gostosa, harmoniosa, feliz. A partir de então, ele começou a tomar decisões financeiras sozinho e arruinou tudo. Depois fez planos megalomaníacos. Eu desisti do Doutorado Sanduíche. Engravidei. Parei de cantar. Decidi apenas terminar o doutorado e arrumar um emprego qualquer. Não conseguia escrever artigos para enviar para revistas Qualis “Cu” e publicar. Não conseguia participar de mil congressos como meus colegas que hoje são professores de Universidade. Perdi a pequena época de fartura que a ciência teve. Banquei nossa relação, os planos loucos do homem, a nova filha. Fiz algumas merdas também, lógico. Não vou me eximir da responsabilidade por minhas escolhas. Eu poderia ter batido o pé, largado o homem, deixado a filha com o pai dela (que nem falava com ela há meses) e pensado só em mim e em meus sonhos. Todavia, eu não quis. Eu tinha outros sonhos relacionados à estabilidade financeira, emocional, à segurança, ao meu relacionamento afetivo/amoroso/sexual, à felicidade e alegria das minhas filhas. Abri mão de umas coisas importantes por outras coisas igualmente importantes e queria reconhecimento por isso. Recebi desprezo e tentativa de controle. Não tinha como dar certo. Junta aí a outra filha adoecida, eu perdidinha tentando ajudar uma adolescente bipolar quando esse terreno todinho da neuroatipicidade na adolescência era só mato. Junta também minha mãe que vendeu o apartamento dela, fez um negócio conosco para nos emprestar dinheiro para terminarmos a construção da casa, um dos vários planos megalomaníacos do homem, e depois resolveu mudar unilateralmente os termos da negociação de modo que começou a cobrar de várias formas o dinheiro antes do previsto. A pressão reverberava em violência psicológica de ambos contra mim. Eu rebatia com descontrole emocional, financeiro e desespero. Após a venda do apartamento dela, minha mãe veio morar conosco, o que transformou nossa casa recém-construída em casa da minha mãe com todas as filhas dela, quase todos os irmãos dela (um é pedófilo e pelo menos esse não ia), e a mãe dela. Não gosto nem de lembrar. Nenhum deles me trata com respeito. Obviamente não me trataram com respeito dentro da minha própria casa. Detalhe importante: minha mãe descobriu um câncer de intestino. O tratamento foi rápido, uma cirurgia. Não foi necessária químio ou radioterapia. Mesmo assim. Eu não tenho afinidade com quase ninguém da família da minha mãe. Mas a amo muito e a quero muito bem, portanto, a casa era dela, sim. Eu que aguentasse o mundaréu de parentes. Inclusive, sem o empréstimo dela, a casa teria sido finalizada com bastante dificuldade. Só não foi certo mudar os termos da negociação e achar que estava tudo bem. Fiquei arrasada quando decidi romper com ela por conta de tanto julgamento e palavras cruéis que ela proferia quando se referia à doença de Clara. Os dois anos de distância foram bons. Voltamos a nos comunicar de maneira mais respeitosa e bem mais amorosa. No meio disso tudo tinha uma baby, minha Rosinha, cheia de personalidade e de alegria. Cuido com muito amor. Durante uns meses, meu sobrinho se juntou a nós para que sua mãe, minha irmã mais nova, fizesse o curso de formação da PM. Eu amei cuidar deles dois juntinhos. Um contrapeso ao peso do dodói de Clara Lua. Se eu não estivesse sob tanta pressão do homem por conta de dinheiro, jamais aceitaria a contribuição financeira de minha irmã. O homem dizia, acho que ainda diz, que só não canta quem não quer. Pelo jeito ele não sabe que em vez de uma rede de apoio eu tive um bando de opressão... Já passou também. Pelo menos uma vez por ano ainda participava de alguma montagem operística amadora. Eu não sofria mais por não poder estudar o tanto que eu gostaria, ou por não fazer aulas de teatro para melhorar a construção do personagem e a performance; ou aulas de dança para melhorar a postura, o tônus muscular e a desenvoltura no palco; ou por não estudar mais um idioma; ou por não estudar piano; ou por não pagar uma ou duas horas de correpetição por dia para estudar com acompanhamento. A parte literária, histórica e musical eu garantia. Eu ia participar daquelas montagens nem sei por quê. Achava-as todas medíocres. Mas eu não sei se eu sabia disso. Só sei que eu não achava graça. Eu queria mais. Eu podia muito mais. Disso eu sabia. Eu também sabia que estava profundamente infeliz. Comecei a dar aulas numa “universidade” privada. Fiz concurso para o IFB, meu sonho. Passei, porém não tão bem a ponto de ser convocada antes dos quatro anos de pesadelo a que acabamos de sobreviver. O prazo de validade termina em agosto deste ano. Sonhei que fui convocada. Seria muito lindo. É um sonho grande e lindo. O fascismo em 2016 já estava se fortalecendo. Minha trajetória em instituições privadas fascistóides a partir de então foi de ruim a desastrosa até 2022, quando teve um concurso para a Secretaria de Educação. Passei. Estou esperando convocação. Deve demorar. Enquanto isso, não estou conseguindo trabalhos, outro emprego, nada. Fico rindo sozinha de uma expressão das golpistas mandaleiras: “bloqueio de abundância”. Tá rolando hahaha. Brincadeira. Essa é uma oportunidade de olhar para mim, de cuidar de mim, de entender coisas que nunca aceitei que poderia ousar tentar entender, de aceitar o amor, de aceitar o cuidado, de poder querer, de querer, de sonhar com algo para mim, de pensar em mim, de planejar para mim, de me amar. Estou cuidando de uma adolescente que, quando a deixei na escola e disse “Boa aula, meu amor”, despediu-se de mim assim: “Bom nada pra você.” Fiquei bem pensativa ontem. Eu a levo e busco na escola, cozinho, organizo e limpo a casa, penduro e guardo as roupas, faço as compras, levo à aula de teatro, à terapia, levo para os passeios, recebo as amigas dela, invento atividades etc. Nada? Tenho uma vida também. Meus amigos, meus livros, meus discos, meus amores. Nada? A vida é só trabalho, então? Mujica, ensina a menina. Não fiquem bravos com Rosinha. Ela é massa: carinhosa, amorosa, divertida, inteligente e perspicaz. Por isso mesmo eu nem preciso me perguntar o que eu fiz de errado, gente! Caetano falou bem ali que um dos mais belos rocks do mundo é “Um belo dia resolvi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer ê” Não controlamos nada, né Rita? Deixe que façam as próprias descobertas e vivam como acharem melhor. Eu as amo mais que a mim. Isso é certo. Depois de tanta coisa louca que passei, acho que meu pós-parto começa agora. Me libertando de uma vida vulgar que eu levava estando quase junto à velha opinião (de)formada sobre tudo.

09 de Maio de 2023

Sobre sonhar com uma cidade Gandhia Brandão Um bloco de carnaval cujo tema é a luta antimanicomial colocou a seguinte frase: "se a ...